Com Psicóloga Jessica Oliveira
Os transtornos alimentares podem afetar pessoas de todas as orientações sexuais e identidades de gênero. No entanto, estudos sugerem que indivíduos LGBTQIA+ podem enfrentar um risco aumentado de desenvolver transtornos alimentares devido a estressores únicos relacionados à identidade de gênero e orientação sexual, como discriminação, estigma e pressão social.
No Brasil, as estatísticas específicas sobre transtornos alimentares em pessoas LGBTQIA+ ainda são muito limitadas, mas um estudo conduzido pela Associação Brasileira de Estudos da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) descobriu que 7,1% dos brasileiros têm algum tipo de transtorno alimentar, número que pode dobrar, triplicar, quadruplicar.... entre pessoas LGBTQIA+.
Transtornos alimentares mais comuns entre pessoas LGBTQIA+:
- Anorexia nervosa
- Bulimia nervosa
- Compulsão alimentar periódica (TCAP)
- Comportamentos alimentares desordenados.
Existem vários tipos de transtornos alimentares e de imagem corporal. Aqui estão alguns dos principais:
1. Anorexia nervosa.
Um transtorno alimentar caracterizado por uma preocupação extrema com o peso corporal, uma percepção distorcida do próprio corpo e uma restrição severa da ingestão alimentar, levando a uma perda de peso significativa.
2. Bulimia nervosa.
Caracterizada por episódios recorrentes de compulsão alimentar seguidos de comportamentos compensatórios, como vômitos autoinduzidos, uso excessivo de laxantes ou exercício físico compulsivo, em um esforço para evitar o ganho de peso.
3. Transtorno de compulsão alimentar periódica (TCAP).
Similar à bulimia nervosa, mas sem os comportamentos compensatórios. As pessoas com TCAP têm episódios recorrentes de compulsão alimentar, durante os quais sentem uma perda de controle sobre a quantidade de comida que consomem.
4. Vigorexia.
Também conhecida como transtorno dismórfico muscular, é uma preocupação excessiva e uma percepção distorcida do próprio corpo, especialmente em relação à massa muscular. Pessoas com vigorexia podem se exercitar compulsivamente e usar esteroides anabolizantes para alcançar uma musculatura idealizada.
5. Transtorno da imagem corporal.
Envolve uma preocupação excessiva e constante com a aparência física, levando a sentimentos de inadequação e insatisfação com o próprio corpo, independentemente do peso ou forma corporal.
6. Transtorno de evitação/restritivo da ingestão de alimentos.
Caracterizado por uma evitação persistente ou falta de interesse em alimentos, resultando em restrição alimentar significativa que leva à perda de peso ou falha em ganhar peso esperado.
7. Transtornos alimentares não especificados (TANE).
Condições que apresentam sintomas de transtornos alimentares, mas não atendem completamente aos critérios diagnósticos para anorexia nervosa, bulimia nervosa ou transtorno de compulsão alimentar periódica.
8. Transtorno alimentar restritivo de evitação/atípico.
Caracterizado por restrição alimentar significativa sem as características típicas da anorexia nervosa, bulimia nervosa ou transtorno de compulsão alimentar periódica.
9. Transtorno de ruminação.
Caracterizado pela regurgitação repetida de alimentos após a ingestão, seguida ou não por reingestão, sem náuseas, desconforto gastrointestinal ou outra explicação médica.
10. Transtorno de alimentação seletiva/evitativa.
Caracterizado por uma aversão persistente ou evitação de certos alimentos ou grupos de alimentos, resultando em uma dieta restrita e potencialmente deficiente em nutrientes.
11. Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).
Um transtorno mental caracterizado por pensamentos intrusivos e recorrentes (obsessões) que levam a comportamentos repetitivos e ritualizados (compulsões) para aliviar a ansiedade.
12. Hiperfagia.
Um transtorno caracterizado por um apetite excessivo, resultando em ingestão alimentar aumentada, que pode levar à obesidade e a problemas de saúde relacionados.
13. Ortorexia.
Uma preocupação obsessiva com alimentos considerados saudáveis, levando a uma dieta restritiva e à exclusão de certos grupos alimentares, o que pode resultar em deficiências nutricionais e problemas de saúde.
14. PICA
Um transtorno caracterizado pela ingestão persistente de substâncias não nutritivas, como terra, giz, cabelo, plástico ou papel, por um período de pelo menos um mês, sem uma explicação culturalmente aceitável.
15. Síndrome de Prader-Willi.
Uma condição genética rara caracterizada por hipotonia neonatal, hipogonadismo hipogonadotrófico, hipotireoidismo central, déficits de crescimento pré-natal e pós-natal, comportamento hiperfágico e obesidade.
Conheça as orientações alimentares para alguns dos transtornos alimentares mais comuns, ressaltando que estas podem dar grande apoio ao tratamento, sem jamais dispensar a participação da pessoa médica especializada.
1. Anorexia nervosa.
Inclui estabelecer um padrão alimentar regular com refeições balanceadas para garantir a ingestão adequada de nutrientes. O tratamento geralmente envolve o apoio de uma equipe multidisciplinar, incluindo nutricionistas, para monitorar o ganho de peso gradual e promover uma relação saudável com a comida.
2. Bulimia nervosa
Recomenda-se estabelecer uma dieta equilibrada, com refeições regulares e sem pular refeições. Evitar o jejum prolongado pode ajudar a reduzir os episódios de compulsão alimentar. Além disso, é importante buscar tratamento psicológico para abordar os padrões de pensamento disfuncionais e os comportamentos compensatórios.
3. Transtorno de compulsão alimentar periódica (TCAP).
As orientações alimentares podem incluir o estabelecimento de um padrão alimentar regular com refeições equilibradas e a prática de habilidades para lidar com a compulsão alimentar, como identificar gatilhos emocionais e desenvolver estratégias de enfrentamento alternativas.
4. Vigorexia (transtorno dismórfico muscular).
O tratamento geralmente envolve uma abordagem multidisciplinar, incluindo orientação nutricional para promover uma dieta equilibrada e evitar o uso exagerado de suplementos e esteroides anabolizantes sem planejamento e acompanhamento médico.
5. Transtorno da imagem corporal.
O tratamento pode envolver a promoção da aceitação corporal e a prática de autocuidado, incluindo alimentação intuitiva e atividade física que promova o bem-estar em vez de objetivos estéticos.
6. Transtorno de evitação/restritivo da ingestão de alimentos.
As orientações alimentares podem incluir o aumento gradual da variedade de alimentos e o estabelecimento de um padrão alimentar regular para garantir a ingestão adequada de nutrientes.
7. Transtorno de ruminação.
Recomenda-se buscar orientação de um profissional de saúde, como um gastroenterologista ou psicólogo, para desenvolver estratégias para interromper o comportamento de ruminação.
O tratamento pode incluir técnicas de terapia comportamental cognitiva (TCC) para modificar padrões de comportamento alimentar.
8. Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).
Uma dieta equilibrada e a prática de técnicas de relaxamento podem ajudar a reduzir a ansiedade associada ao TOC.
Evitar cafeína e outros estimulantes pode ajudar a reduzir os sintomas de ansiedade.
9. Hiperfagia.
Recomenda-se procurar orientação de um nutricionista para desenvolver um plano alimentar equilibrado, que promova uma ingestão controlada de alimentos.
Estratégias comportamentais, como comer devagar e prestar atenção aos sinais de saciedade, podem ajudar a reduzir a ingestão excessiva de alimentos.
10. Ortorexia.
O tratamento geralmente envolve terapia cognitivo-comportamental (TCC) para ajudar a modificar padrões de pensamento disfuncionais em relação à comida.
O foco é na promoção de uma relação saudável com a comida, permitindo uma variedade de alimentos em vez de restrições extremas.
11. PICA.
O tratamento geralmente envolve uma abordagem multidisciplinar com envolvimento de médicos, nutricionistas e psicólogos.
Estratégias comportamentais, como terapia cognitivo-comportamental (TCC), podem ser úteis para modificar comportamentos alimentares prejudiciais.
12. Síndrome de Prader-Willi.
Uma dieta controlada e monitorada por um nutricionista é essencial para evitar a hiperfagia e controlar o peso.
Recomenda-se limitar o acesso a alimentos e estabelecer horários regulares para as refeições.
Todas estas recomendações são baseadas em evidências científicas publicadas e disponíveis e podem variar dependendo das necessidades individuais de cada pessoa. É importante buscar orientação personalizada de profissionais de saúde qualificados para um tratamento adequado.