Nutrição e obesidade é um tema polêmico e desejo, ao contrários dos outros capítulos, começar este apresentando minha posição pessoal e profissional
O excesso de peso e a obesidade são calculados de forma oficial a partir de um índice chamado Índice de Massa Corporal, uma relação entre o peso e a altura de uma pessoa.
Esta classificação é:
- A pessoa com IMC abaixo de 25kg/m2 não tem excesso de peso.
- A pessoa com IMC entre 25 e 29,9Kg/m2 tem excesso de peso.
- A pessoa com IMC entre 30 e 34,9kg/me tem obesidade leve.
- A pessoa com IMC entre 35 e 39,9kg/m2 tem obesidade moderada
- A pessoa com IMC acima de 40kg/m2 tem obesidade grave.
É muito importante lembrar que uma pessoa humana não pode e não deve ser classificada conforme este ou qualquer outro critério. Este é um critério que a ciência usa para classificar pacientes em tratamento, ou seja, é um dado médico e não social.
Eu pessoalmente vejo essa questão dividida em 2 situações diferentes.
Existe a visão da estética para a obesidade e existe a visão da saúde para a obesidade.
A visão estética não deveria sequer existir. Cada pessoa é dona de seu próprio corpo e tem absoluto direito a ter o visual que desejar ter. O estilo de vida que quiser e, naturalmente, encontrar pessoas que admiram sua forma de beleza e com essas pessoas estabelecer todos os tipos de conexões emocionais que a vida oferece.
A visão da saúde existe desde que a Organização Mundial da Saúde incluiu a obesidade como doença crônica endócrina, nutricional ou metabólica, em 1997, devido à sua associação com a presença de enfermidades como doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer, diabetes tipo 2, problemas articulares e hipertensão, por exemplo.
Porém não andamos por aí apontando a saúde das outras pessoas, correto?
O direito individual às decisões, até mesmo em relação aos cuidados com a saúde, é supremo.
Eu sou nutricionista e trabalho, entre outras coisas, com emagrecimento. A Jessica, minha esposa é psicóloga, especialista e pós graduada em emagrecimento. E não saímos na rua classificando a saúde de ninguém.
A única situação em que nos envolvemos com o emagrecimento de alguém é quando a pessoa, seja por estética ou por necessidade de saúde decide emagrecer. E mais, decide que nós sejamos os profissionais de saúde a caminhar junto com ela para esse objetivo.
Ou seja, trabalhamos e fazemos de forma remunerada, dentro do nosso consultório para pessoas que nos escolhem para isso. A saúde de quem não é nossa paciente ou nosso paciente é algo em que não cometemos a ousadia de nos intrometer.
Como reverter a obesidade de forma simples.
Eu creio em algo bem simples: se eu deixar meu corpo, meu organismo saudável, tudo correrá bem. Não acumularei gorduras e nem irei reter líquidos desnecessários para o organismo. Se eu me exercitar, os músculos responderão.
Então prefiro falar com você sobre comer saudável e não sobre comer para emagrecer!
Quero aqui retomar os conceitos do Guia Alimentar para a População Brasileira, lançado pelo Ministério da Saúde do Brasil em 2014, durante o mandato da Presidente Dilma Rouseff, que traz conceitos muito simples, coisas que nossos avós faziam de forma instintiva e natural. Nada que você fizer, nem a dieta mais complicada dará um resultado melhor do que apenas seguir as orientações do Guia!
São conceitos bem simples:
1. Prefira alimentos in natura e minimamente processados.
Estes alimentos são a base de uma alimentação saudável e devem compor a maior parte da dieta. Eles incluem frutas, verduras, legumes, grãos integrais, carnes frescas, ovos, leite fresco e seus derivados.
O conceito de "minimamente processados" refere-se a alimentos que são ensacados, descascados, torrados, por exemplo.
Recomenda-se que esses alimentos sejam a principal fonte de nutrientes na dieta, pois são ricos em vitaminas, minerais, fibras e outros nutrientes essenciais.
O Guia reconhece a imensa diversidade alimentar do Brasil e incentiva a diversidade na escolha desses alimentos, priorizando produtos sazonais e regionais.
2. Consuma alimentos processados com moderação
São alimentos in natura que passaram por processos de transformação, como secagem, fermentação, moagem, pasteurização, entre outros, para aumentar sua durabilidade ou melhorar sua palatabilidade.
Exemplos incluem pães, queijos, iogurtes, conservas de frutas e legumes, entre outros.
Recomenda-se consumi-los com moderação, evitando, com atenção especial, aqueles que contenham adição excessiva de sal, açúcar, gorduras saturadas e aditivos químicos.
3. Evite ao máximo os alimentos ultra processados.
São produtos alimentícios industrializados que passaram por múltiplos processos de fabricação e contêm aditivos, como corantes, aromatizantes, conservantes e estabilizantes. Você sabe que um produto é ultraprocessado quando olha para os ingredientes na embalagem e percebe que existem muitos nomes estranhos, que você não conhece, que não são de comida.
Outra dica sobre embalagens é a seguinte: na lista de ingredientes, o primeiro que aparece é o que está em maior quantidade no produto e vai diminuindo até o último ingrediente, que será o que está em menor quantidade. Já vi muitas vezes um produto a base de frutas que tem, na lista de ingredientes, o açúcar primeiro e a fruta depois.... tem mais açúcar que fruta no produto de fruta, percebe?
Exemplos incluem refrigerantes, salgadinhos, bolachas recheadas, fast-foods, entre outros.
O Guia desencoraja o consumo desses alimentos, pois são frequentemente ricos em calorias vazias, açúcares adicionados, gorduras trans, sódio em excesso e outros aditivos prejudiciais à saúde.
Sabemos que fica muito difícil viver dessa forma 100% dos nossos dias, mas precisamos concordar que sim, seria o ideal. Que tal fazermos isso da melhor forma possível, o máximo de refeições que pudermos?